De onde vem essa tal competência?

Você sabe o que é “competência”? Essa é uma palavra que está sendo muito utilizada atualmente no contexto profissional. Isso porque o aprimoramento do indivíduo, por meio do autoconhecimento, do treinamento ou de metodologias de desenvolvimento humano, está em voga como um caminho possível para alcançar o aperfeiçoamento.

E, frente aos desafios atuais, reconhecer e buscar desenvolver competências já são grandes saltos para o progresso tanto individual como organizacional. Por isso, vamos dedicar um momento para falar sobre esse importante ponto do desenvolvimento humano que temos a oportunidade de usar a nosso favor.

De onde vem essa tal competência?

A palavra competência é bastante antiga e tem a sua origem em dois termos do latim. O primeiro é a competentia que significa proporção, simetria. A outra é competere que remete a ser capaz, concorrer com outro. Historicamente a palavra competência foi utilizada inicialmente na Idade Média, mais precisamente no final do século XV. Por incrível que pareça nessa época o seu uso e conceito ficaram restritos à área jurídica para designar a legitimidade e a autoridade que as instituições detinham para tratar certos assuntos (Dolz, 2004)[1].

Somente na segunda metade da década de 1970 é que o termo passou a ser estudada, recebendo uma nova roupagem, ganhando uma abordagem mais ampla. Tudo isso em consequência das mudanças do mundo e das necessidades de melhoria de capacitação e desempenho das pessoas. O impulsionamento para essa transformação foi realizado por McClelland (1973) ao introduzir um movimento de readequação do conceito de competência e a identificação de subdivisões em competências técnicas e comportamentais.

Conceituando competência enfim!

Atualmente, competência é reconhecida com um novo sentido. De acordo com o Dicionário Aurélio[2], “é a capacidade de mobilizar conhecimentos, valores e decisões para agir de modo pertinente numa determinada situação”.

Levy-Leboyer (2002)[3] designa competência como “repertório de comportamentos e capacidades que algumas pessoas ou organizações dominam melhor que as outras, tornando-as eficazes em determinada situação”.

Resende (2008)[4] incorpora o conceito de McClelland e afirma que a competência é a “aplicação de conhecimentos, experiências, habilidades, características pessoais, valores, com obtenção de resultados práticos ou alcance de objetivos”.

 Resumindo…

Nesse sentido, podemos dizer que competência pode ser resumida como:

  1. As capacidades desenvolvidas e adquiridas que possibilitam ao indivíduo executar diretamente atividades dentro do seu contexto profissional e individual.
  2. A força motriz que serve para impulsionar o autodesenvolvimento individual, influenciando toda a parte profissional, social e pessoal do indivíduo.
  3. É a união de capacidades que nos ajudem a executar atividades ou ações da melhor forma possível, sendo o know-how que cada um carrega dentro de si mesmo.

Hoje, com o passar dos anos, podemos perceber que o conceito de competência ficou muito atrelado à questão profissional ou ao cargo que o indivíduo ocupa. Ela se torna um prolongamento das capacidades mobilizadas por cada indivíduo em face da sua vida como um todo e cada vez mais mutável, dinâmica e complexa. Sob essa perspectiva, a tarefa de identificação das competências individuais passa, entrelaça e permeia diretamente a vivência pessoal e as habilidades que são desenvolvidas ao longo da vida de cada ser humano.

Por dentro da competência

Então, competência é a união de capacidades que desenvolvemos. Mas que capacidades são essas? Alguns autores, de forma bem didática, utilizam da imagem da árvore para explicar o que compõem verdadeiramente uma competência. Eles associam a raiz, o tronco e a copa da árvore a cada um dos tipos de competência: a atitude, o conhecimento e a habilidade.

Na raiz da árvore está a atitude. Ela é a base da competência conforme a representação na imagem abaixo.

 

competencias

 

A raiz: as atitudes

Fisiologicamente falando, na árvore, a raiz é a estrutura que sustenta, segura e mantêm ereta toda a planta. Além disso, é pela raiz que a planta assimila os nutrientes essenciais à vida, ou seja, é o que a mantém viva. Em relação à competência, a atitude também é a base para tudo. As atitudes são as posturas que assumimos em nossa vida. São as escolhas que fazemos seguidas por ações que são baseadas nos valores e nas crenças que aprendemos ou passamos a acreditar durante nossa vida.

Um exemplo de atitude é o respeito. A atitude de respeitar o outro é uma escolha que o indivíduo faz de acordo com aquilo que ele acredita ser correto, importante ou válido. Vou tentar ser mais clara. Você pega um ônibus para voltar para casa. Está super cansado e exausto do dia de trabalho e milagrosamente você arruma um lugar para sentar no primeiro lugares. Passam-se alguns minutos e entra uma pessoa idosa. Como você age em seguida: você levanta e dá o seu lugar para o idoso ou permanece sentado? Se você levanta e cede o lugar, o seu valor de respeito ao idoso está direcionando a sua ação. Alguma coisa dentro de você lhe diz que o correto a fazer é ceder o lugar para essa pessoa. Agora, se você permanece sentado, o valor respeito ao idoso não está alicerçado em suas atitudes.

E muitas delas adquirimos durante a vida, principalmente no período da infância. Elas são mais difíceis para se desenvolver e requerem mais tempo, esforço e dedicação para se perceber seus benefícios. Podemos dizer que ser honesto, ser empático, ser proativo, ser pontual são diferentes atitudes que podemos ter ou adquirir.

Outras competências de atitude: comprometimento, pontualidade, empatia, autonomia, determinação, entre outras.

O caule: os conhecimentos

Já o caule da árvore foi associado ao conhecimento. O conhecimento é todo e qualquer tipo de informação que é assimilada por nós nas diversas época e fases da vida. Saber ler e escrever, somar dois mais dois, saber a diferença entre mamíferos e aves, entender de história nacional, saber programar um computador ou projetar uma ponte são conhecimentos que podem fazer parte do nosso repertório de vida.

O interessante é que, duas pessoas submetidas ao mesmo tipo de formação acerca de uma área de atuação, produzirão conhecimentos diferenciados entre si. Isso porque o conhecimento é formado somente quando ele é introjetado e combinado com as experiências de vida e conhecimentos prévios de cada um. Por isso que uma pessoa se forma em direito, por exemplo, e se especializa em direito criminal e o outro em trabalhista. É claro que se assoma a isso também as aptidões individuais que trataremos a seguir.

Alguns tipos de conhecimentos: conhecimento técnico (design, controladoria, desenho), conhecimento do negócio, conhecimento sobre planejamento, conhecimento empreendedor, entre outros.

A copa: as habilidades

Por último está a copa da árvore. É ela que dá forma à planta e enfeita sua estrutura. Na copa surgem as folhas, as flores e os frutos como resultado da saúde do vegetal. Ela é representada como sendo a habilidade, ou seja, aquilo que somos capazes e hábeis de fazer, executar. Assim, um marceneiro pode fazer diversos cursos, adquirir conhecimentos sobre os tipos de madeira ou sobre os equipamentos que precisa utilizar. Mas, se ele não adquire habilidades para trabalhar a madeira e utilizar os equipamentos, de nada adiante os conhecimentos. O trabalho final dele vai ficar com acabamento muito falho e ruim.

Habilidades que podemos ter e desenvolver: boa comunicação, saber ouvir, organização e controle, relacionamento interpessoal, etc.

Pluralidade da vocação, pluralidade das competências

Assim, todos nós adquirimos e desenvolvemos ao longo de nossa vida diversas competências dos mais variados tipos. Algumas são atitudes, outras são conhecimentos e outras habilidades. E o mais importante, ninguém detém as mesmas competências que o outro. Podemos ter competências similares, mas nunca idênticas.

Para descobrir quais as competências você possui hoje, uma forma simples é você relacionar:

1) Quais as posturas que você normalmente assume frente às situações de sua vida: são as atitudes;

2) Quais são os conhecimentos adquiridos até hoje? e quais deles você utiliza para a sua vida profissional ou pessoal: são os conhecimentos;

3) Tudo aquilo que você faz bem ou exerce com facilidade: são as habilidades.

Para fechar…

Lembre-se das diversas situações de sua vida, seja de âmbito profissional ou pessoal. Isso porque muitas pessoas descobrem quais são os seus talentos por causa de um hobbie que já possuem e percebem que fazem aquilo tão bem e com tanto prazer que esse passatempo passa a ser a sua profissão.

Analisando essas três esferas, você conseguirá perceber quantas competências você já possui e que algumas delas podem se tornar o seu novo empreendimento ou foco de trabalho (profissional ou voluntário) no futuro. Além disso, tomando consciência das suas competências, reais e potenciais, você poderá construir seu caminho com mais segurança. Voltarei a esse assunto em outros posts. Conecte-se aqui e tenha informações que vão ajudá-lo a construir seu plano de desenvolvimento pessoal.

Se você gostou, mande seus comentários. Estou à disposição nesse contato. Até os próximos posts.

 

[1] DOLZ, J. et al. O enigma da competência em educação. Porto Alegre: Artmed, 2004. 232p.

[2] Disponível em <https://dicionariodoaurelio.com/competencia>.

[3] LÉVY-LEBOYER, Claude. La gestion de compétences. 6.ed. Paris: Édition d’Organisation, 2002.

[4] Resende, Enio. Competência, sucesso, felicidade. São Paulo: Summus, 2008.

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